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Fórum Nacional de Relações Intrafamiliares

Sexta-feira, 20 de junho de 2008

Bem Vindo

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Estamos desenvolvendo esformos para migrarmos para outro serviço.

Pedimos desculpas pelo problema!


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Consultório de meninas – 2/6-0295

Foto disponibilizada pelo Dr. Ângelo Crispim para uso exclusivo na página do FNRI®

fnri.mund@bol.com.br


(Amostra – um relato em cada paciente)

Consultório de meninas

Paciente A-215/1

Um doutor diferente

Ângela Filgueiras

Ângela resolve falar

Fernando, o irmão

Ângela espia os pais

Depois de ver quis sentir

Uma noite de dor e prazer

No fim Ângela sente medo

Paciente C-184/1

Rosângela, mãe de Cristina

Cristina, uma garota

Cristina, um botão de rosa que desabrocha

Cristina e as novas descobertas

Um churrasco e outras visões

Cristina, um tiro que saiu pela culatra

Paciente M-000/1

Marlene, um caso dentro de casa

Um filme, um pedido de desculpas e outra realidade

Uma pousada chamada Sossego

Um chalé carregado de desejos

Momentos de desejos: Na Aldeia

Momentos de desejos: Marlene do passado

Momentos de desejos: Marlene do presente

Momentos de desejos: Rosângela

Momentos de desejos: Cristina

Rosângela ouve a história de Ângelo

Volta ao lar...

Roberto

Anabele, minha mãe

O FNRI® detém os direitos autorais do material publicado

fnri.mund@bol.com.br


Consultório de meninas – 2/0295

Ângela Filgueiras

Garota tímida, um pouco gordinha, olhos esverdeados que parecia grudar no chão Ângela entrou na sala espiando pros lados como se procurasse algo ou alguém que lhe desse apoio.

— Boa tarde! – cumprimentei a mãe, uma senhora com seus 38 ou 39 anos – Dona Mirtes, não é?

Segurava o ombro da filha, também espiou pelos cantos tal a filha.

— Boa tarde doutor...

Ficaram paradas a dois passos da porta. Olhei interessado, pareciam arrependidas.

— E essa gatinha é Ângela? – dei um sorriso sem demonstrar estar afetado.

A garota pareceu se espantar ao ouvir dizer seu nome, olhou paras mim e depois para a mãe.

— Se aproximem... – convidei – Vamos sentar?

Levantei da cadeira e estendi a mão, Mirtes olhou primeiro para meu rosto, mediu-me da cabeça aos pés como se querendo se certificar que realmente era eu o psicólogo.

— O senhor é muito novo... – segurou minha mão – Pensei que era mais velho...

Sorri para ela, todas tinha esse impressão e aprendi usar em meu favor o porte de garoto que esconde meus quase quarenta e três anos.

— É brincadeira da mãe natureza – segurei a mão, estava fria e um pouco trêmula – Parece que o bom velhinho lá de riba não quer amassar minha pele e nem pintar meus cabelos...

Continuei segurando a mão, era macia e dizia que não pegava no batente.

— Sou Ângelo... Como você, princesa... – olhei para a garota – Você sabia que nosso nome quer dizer enviado do Senhor?

Soltei a mão de Mirtes e farfalhei os cabelos curtos da garota, ela parecia querer sair correndo.

— Vamos sentar... – apontei o sofá de três lugares – Em pé cansa...

Pareceu ver um sorriso nascendo no rosto de Mirtes, mas foi só um instante, logo voltou a ficar séria. Tornou olhar para os lados, meu consultório não parece ser consultório: um conjunto de sofás, uma pequena geladeira num dos cantos, uma televisão, um vídeo cassete, uma pequena mesa atulhada de revistas e livros, prateleiras com livros de histórias infantis, romances e nada desses compêndios empoados que pululam pelos consultórios de colegas.

— Você é muito bonita Ângela... – não estava mentindo, apesar de um pouco cheinha, era bonita – Como é? Vamos ficar em pé?

As duas se moveram ao mesmo tempo, pareciam ter ensaiado os movimentos. Olhei as duas e esperei que sentassem. Mirtes ficou empertigada, coluna reta, mãos pousadas ao joelho e pescoço ereto. Ângela se deixou cair na maciez do sofá, ajeitou-se e ficou encostada espiando as coisas do consultório.

— Quem lhe indicou foi uma amiga... – Mirtes começou falar nervosa – Ela me falou muito bem do senhor... Eu não queria vir, mas ela disse que o senhor é bom mesmo... Não sei por onde começar... Será que posso fumar aqui? – abriu a bolsa prateada e tirou uma cigarreira de couro cru.

— A vontade... Também sou fumante... – andei até a porta e mudei a placa para ocupado, voltei – Vocês aceitam beber alguma coisa? – parei perto da geladeira – Água, refrigerante, suco de manga...

Ângela olhou para a mãe, também estava escabriada com o jeito do lugar. Esperavam encontrar um consultório asséptico e cheio de quinquilharias que só servem para impressionar a clientela, mas não viram nada que pudesse ligar o lugar a um consultório de um psicólogo. Mais parecia uma sala de estar normal de uma casa e nem mesmo cartazes tão comuns ou meus diplomas e certificados enfeiavam as paredes verde clara.

— Aceito um cafezinho... – Mirtes tinha visto a cafeteira expresso numa mesinha perdo da geladeira – Você aceita um refrigerante filha?

A garota fixou o olhar na mãe, não falou nada, parecia acabrunhada – e estava, não por menos eu sabia. Esperei que respondesse, mas continuou muda e a mãe pediu que lhe desse uma coca-cola. Servir o refrigerante, entreguei o copo nadir – outro espanto – e coloquei a garrafa na mesinha com tampo de cristal – uma exigência de Mica, minha namorada. Esperei que o café fosse coado, coloquei em duas xícaras pequenas e sentei na poltrona em frente às duas. Mirtes recebeu a xícara e provou, novamente pensei ter visto um pequeno sorriso nos lábios. Tomamos o café em silêncio, Ângela fazia de tudo para não cruzar o olhar com o meu.

— Bem... – coloquei a xícara na mesinha e recebi a de Mirtes – Sua amiga deve ter falado sobre como eu ajo... – parei um instante, olhei para as duas – Esse primeiro contato é somente para nos conhecermos... Eu sou Ângelo, me formei fora do país há alguns anos – sorri – Estou no país há onze anos e vim para cá há nove – respirei, olhei para as duas e as duas estavam quietas, Ângela fixa no chão sem ao menos piscar e Mirtes me olhava atenta – Sou divorciado, tenho duas filhas que moram com a mãe, adoro meu trabalho e gosto muito mais com quem trabalho... Não aceito mais que três casos por dia, isso dá um nó na cabeça da gente e se termina até mesmo não ajudando quem devemos ajudar... Este lugar aqui, que chamo de meu lar, pode ou não ser o local onde me encontro com quem trabalho e não tenho paciente, tenho amigos e amigas que confiam em mim...

Parei, respirei fundo e fiquei olhando as duas. Mirtes olhou para a filha e depois para mim.

— Doutor Ângelo... O senhor... O senhor já deve saber, ou desconfiar o motivo de estarmos aqui...

— Não! – cortei – E não sou doutor e muito menos senhor...

Mirtes sorriu, dessa vez foi sorriso de verdade.

— Ta bom... Me chamo Mirtes e minha filha, minha caçula – olhou para a filha e colocou a mão na ponta da perna da garota – Tem umas coisas que... Ângela é uma menina doce, meiga... – parou e respirou fundo – Não se como isso veio acontecer....

Conversamos por mais de uma hora até Mirtes de dá por satisfeita. Ficou acertado que a próxima vez seria apenas com Ângela.

* * * * * *

— Boa tarde Ângela... – estendi a mão, a garota me olhou assustada – Você não quer entrar?

Me afastei da porta, a garota vacilou e olhou para trás.

— Vai filha... – Mirtes incentivou – Posso esperar aqui doutor?

Falei que sim. Era uma quarta-feira, minha primeira conversa com Ângela.

— Mãe... – ela virou para a mãe – Não acho preciso...

Fiquei parado, não iria forçar nada, as duas já deviam ter conversado muito sobre isso. Notei que também Mirtes estava um pouco incomodada, voltei para o sofá e aguardei.

— Doutor... Eu... Eu... – a garota parou no meio da sala.

— Ângela... – me virei para ela – Não é preciso dizer nada, não vamos fazer nada além de conversar, mas se você desejar...

— Não doutor, não... – andou com passos vacilantes – Vai ser até bom mesmo... - sentou e cruzou as pernas, estava tensa – A Miriam falou que o senhor é legal...

Miriam é outra amiga com quem venho conversando há oito seções.

— Como vai ela? – perguntei.

Ângela me olhou de cima a baixo, tem olhos inquietos apesar da maciez dos gestos. Os olhos dizem muito sobre as pessoas.

— Amanhã é dia dela, né? – a voz pequena era o próprio retrato da garota – Ela disse que vocês batem papo, que o senhor conta histórias, piadas...

Era verdade, sempre tenho um causo na ponta da língua para os momentos certos.

— Ela é muito legal também... – respondi e levantei para buscar refrigerante – Também no primeiro dia ficou cheia de medos e vergonha, mas você verá que não é nenhum bicho de sete cabeças... – abri duas garrafas de coca-cola, ofereci uma para ela – E nosso papo vai ser o que você quiser, viu?

Ela recebeu o copo e tomou uma golada pequena.

— A mamãe acho esquisito esses copos... – olhou para o Nadir Figueiredo – Ela disse que pensava que o senhor ia servir em copos mais finos... – riu – Ela é assim mesmo, bota olho em tudo...

— Gosto desse tipo de copo... – olhei para o meu – É de gente da gente e dá até pra beber café...

Ela riu, estava mais calma.

— Você gosta de música? – perguntei.

— Gosto... Mas gosto mesmo é de MPB, de samba... – voltou a beber – Não me amarro nesse tipo de música de hoje...

— Que cantor você prefere? – perguntei e tornei abastecer seu copo – Se você quiser ouvir alguma em especifico... Olha ali! – virei e mostrei – Lá estão mês discos preferidos e também gosto muito de MPB...

Ela olhou a estante de vidro atulhada de cd’s. Levantei e coloquei Chico Buarque.

— Esse é um de meus preferidos, você conhece a obra de Chico Buarque? – perguntei.

Ângela levantou e foi ver os títulos, me afastei, deixei que ela ficasse olhando as capas e coloquei a cafeteira para funcionar.

— Posso mudar o disco? – perguntou.

— Claro que pode, coloque o que você quiser...

Ela colocou Maria Bethânia. Coloquei café na xícara e fui levar para Mirtes que lia entretida um livro de Mario Vargas Llossa[1].

— Olha o cafezinho do cigarro! – falei demonstrando alegria.

Ela se espantou e sorriu, recebeu a xícara e espichou o olho para dentro da sala.

— E aí doutor? – perguntou interessada e nervosa.

Olhei para ela e sorri.

— Tudo bem... Você me cede um cigarro? – pedi, ela me entregou a carteira, tirei um e acendi, dei uma tragada longa – E você, como está? – perguntei.

Mirtes se recostou na poltrona e também acendeu um cigarro.

— E a Gelita? – deu uma baforada para cima – Ela falou alguma coisa?

Sorri para ela.

— Estamos nos conhecendo... – olhei para a porta, a garota estava parada nos olhando – Agora me deixe papear um pouco com a princesa...

O FNRI® detém os direitos autorais do material publicado

fnri.mund@bol.com.br

[1] Mario Vargas Llosa (nascido Jorge Mario Vargas Llosa) ( Arequipa, Peru, 28 de março de 1936), é um dos maiores escritores de língua espanhola, reconhecido, em nível mundial, como romancista, jornalista, ensaista e político. Ver mais informações  http://pt.wikipedia.org/wiki/Mario_Vargas_Llosa

Consultório de meninas – 10/0303

Cristina, uma garota

Passava das quatro quando meu celular tocou, minha “amiga” da tarde tinha saído há pouco, era Rosângela perguntando se Cristina poderia vir para aquela conversa. Falei que sim e que gostaria que viesse sozinha

— Olá, o senhor é o doutor Ângelo?

Estava lendo um compendio médico, chato pra cacete, sentado na saleta de espera. Olhei para a mocinha parada à porta.

— Oi! – levantei e estendi a mão – Você deve ser Cristina...

Ela continuou parada olhando minha mão estendida; é uma mocinha bonita, um pouco gordinha para sua compleição física, mas nem por isso menos bonita. Cabelos cortados rente à nuca, coxas grossas, seios juvenis emoldurando o peito um pouco largo – pratica natação desde criancinha – e curvas de mulher já a mostra na cintura e a barriguinha, devido a alteração de peso, um tanto fora do conjunto que deveria ser.

— Mamãe me mandou conversar com o senhor – segurou minha mão, estava fria, quase gelada.

— Olá Cristinha, vamos entrar?

Soltou minha mão e olhou pelo ambiente espiando os detalhes e imaginando do que eu iria querer que falasse. Esperei que terminasse a visualização antes de abrir a porta e convidá-la. Novamente olhou os detalhes um tanto espantada – todos que entram, pela primeira vez, em meu consultório se espantam.

— Que tal? – fui à janela e fechei a persiana, o sol da tarde ainda entrava – É aqui que recebo meus amigos para bater papo.

— Não parece consultório... – olhou para mim com um sorriso moleque no rosto – Pensei que ia ser tudo branco...

Não é, é marrom claro com detalhes em tonalidades mais escuras. No parede algumas reproduções de grandes pintores, uma pequena geladeira, estante de som, uma cafeteira em um dos cantos e três grandes jarros com folhagens e iluminação indireto que ajuda as criar o clima de cumplicidade necessária.

— Mas eu não tenho consultório... – uma vontade dana de de fumar, um vício que teimava em não querer parar – Aqui é um lugar pra bater papo.

Rosângela me havia falado que, na primeira vista, todos imaginam que Cristina é tímida, mas aos poucos se descobre que na verdade é bastante expansiva.

Depois de feitos os reconhecimentos, a garota sentou no sofá macio e cruzou as pernas.

— Mamãe falou que o senhor vai me fazer umas perguntas... – não parecia acabrunhada como quase todas – É sobre o que?

Sentei defronte dela e abri a anamnese[1] de seu caso.

— Você tem quantos anos? – perguntei por perguntar, já sabia sua idade.

— Treze... Fiz em junho...

— Rosângela falou que você gosta de estudar, de ler... – olhava direto para ela – Lê com freqüência?

— Gosto sim, não consigo ficar sem ler... – se acomodou melhor no sofá – To lendo “Os Maia”, o senhor já leu?

— Já, é muito bom e... Vamos esquecer esse negócio de senhor... Você é Cristina e eusou Ângelo... – estendi a mão novamente – Prazer...

Ela me olhou e riu antes de tornar segurar minha mão e apertar com delicadeza. Não estava mais fria, estava morna e normal.

— Prazer Ângelo... Você é legal...

* * * * * *

A gente morava com o tio Joaquim, mamãe tinha sido transferida e tivemos que ficar uns tempos enquanto ela procurava uma casa ou um apartamento.

Tio Joaquim tem um filho chamado Arnaldo, dois anos mais velho que eu.

— Vai ser por um período pequeno filha... – Ângela sabia que a filha não se dava muito bem com o primo – Dois meses, máximo, tá bom?

Não tinha mesmo o que fazer e morar em um quarto de hotel não era mesmo lá muito cristão.

Chegamos em Cândido Meireles num domingo, titio estava nos esperando no aeroporto e quando nos viu correu para abraçar mamãe.

— Angel! – se abraçaram apertado – Puxa maninha, faz tempo que a gente não se vê... – olhou para mim e também me deu um abraço forte – Ta uma mocinha Cris!

Estranhei não ver a tia Dolores e nem o primo Arnaldo.

— Ta naqueles dias... – olhou para mamãe – Naldinho está passando uns dias na casa de Vera, minha cunhada.

Mas não liguei muito pra isso não, estava mais interessada no lugar onde passaria morar, estava chateada também por perder a companhia de meus amigos.

Tio Joaquim moravas, e ainda mora, em uma casa ampla de dois pavimentos com quatro quartos, três na parte superior e um no térreo além da biblioteca, sala de som e vídeo, sala ampla, copa enorme e cozinha sempre cheirando eucalipto onde Mercedes, a empregada, construía pratos cada dia mais saborosos.

Fiquei no quarto inferior e mamãe no superior onde tinha banheiro interno. Era janeiro, período de férias. Tia Dolores é uma mulher agradável que sempre inventava o que fazer, brincalhona e expansiva adorava ficar torrando no sol à beira da piscina – um luxo que só conhecia nos clubes.

O Arnaldo é meio besta, não se cansa de dizer que tem isso e aquilo e que a mãe lhe faz todos os gostos – o que é verdade.

* * * * * *

— E os amigos? – interrompi – Conseguiu fazer amizades novas com facilidade?

Ela me olhou, parecia totalmente absorta com as recordações.

— Fiz... A primeira foi a Concita, uma garota que mora na mesma rua – se mexeu no sofá – Foi ela quem me botou na turma da praça.

— O que é a turma da praça?

— É como a gente se chama... – arrumou a barra da saia que teimava em subir pela perna, talvez essa uma preocupação e quase um tique nervoso – Tem uma pracinha onde a gente se reúne todos dias pra conversar e combinar nossas armações – riu.

* * * * * *

— Rosângela, tu vais ter de assumir a casa... – tia Dolores conversou com mamãe – Vou ter que levar o Naldinho no oculista em Teresina...

Arnaldo tinha uma inflamação no nervo ótico que lhe fazia sofrer dores terríveis e os oculistas e médicos da cidade não conseguiam encontrar cura.

— Se você quiser eu vou com ele... – mamãe tinha que ir resolver uns assuntos.

— Não! Vou eu mesma...

Isso foi uns dez dias depois que chegamos, tia Dolores viajou no carro da família numa terça-feira – o nosso carro só chegou na quinta-feira.

Nos dois primeiros dias mamãe fez de tudo para agradar o tio e uma pulga mordia atrás de minha orelha, mas nada mostrava de incomum até aquela noite quando acordei de madrugada para beber água. Saí do quarto e, ao chegar perto da sala, escutei sussurros, levei susto, pensei que era ladrão, ainda quis voltar e me trancar no quarto, mas a curiosidade foi maior e quase desmaiei quando espiei a sala.

— Não aquentava mais... – tio Joaquim estava sentado no sofá e mamãe no seu colo – Fiquei maluco quando soube que tu ias morar aqui.

Mamãe ria e alisava o rosto do tio, ela estava só de calcinha e o tio nu.

— Ficava melada toda vez que tu passava a mão em mim...

- quando Ta naqueles dias... – olhou para mamãe – Naldinho está passando uns dias na casa de Vera, minha cunhada.

* * * * * *

— Porra Ângelo... – ela me olhou, no rosto uma espécie de dor – Foi uma porrada sabe?

— O que foi uma porrada?

Cristina me encarou estranhando que perguntasse, era obvio a resposta, mas era necessário fazer com que falasse.

— Qual’é cara? – estava nervosa – Tu pensa que é normal a gente olhar a mãe da gente trepando?

— Não foi isso que perguntei...

— Então pergunta de novo! – estava irritada.

— O que foi uma porrada? Ver sua mãe fazendo sexo oral ou estar fazendo com seu tio, irmão de sua mãe?

Me encarou, estranhou mais ainda aquela que a pergunta anterior...

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[1] Informação acerca do princípio e evolução duma doença até a primeira observação do médico. [Cf., nesta acepç., catamnésia.] [Sin. ger.: anamnese.]

Consultório de meninas – 16/0309

Um filme, um pedido de desculpas e outra realidade

Naquela noite conversamos e relembramos um mundo de pequenas coisas pelas quais vivemos e, de certa forma, readquiri tardiamente, os tempos não vividos. Marlene parecia querer que eu vivesse, por seus relatos, os anos de separação.

Somente nos demos por satisfeito aos primeiros clarões do novo dia,

O telefone tocava enlouquecido, mas o sono gostoso me roubava a vontade em atender.

— O telefone ta tocando... – Marlene entrou no quarto – Posso atender?

Bocejei e ri para ela, era quase dez horas da manhã, há muito que não me permitia ao luxo de ficar tanto tempo dormindo.

— Deixa tocar... – me espreguicei – Vem. Deita aqui comigo...

— Pode ser importante... – ela sentou na beirada da cama – Acho bom atender...

Era Cristina e as duas conversaram animadas, continuei deitado ainda remoendo os anos perdidos e recuperados pelo que minha filha contou.

— Ta aqui deitado... – ouvi Marlene falar – Ficamos conversando até ainda agora... – escutou alguma coisa e sorriu – Pai, ela quer falar contigo...

Me entregou o telefone e caminhou até a janela que abriu, o quarto ficou inundado de luminosidade, o sol jogou embora o friozinho gostoso do ar condicionado.

— Deixa de ser preguiçoso rapaz... – Cristina falou alegre – A gente ta de saída pra aí... – ouvi a voz de Rosângela – Mamãe manda um beijo na boca.... – a voz de Rosângela e uma espécie de confusão, risos e gritinhos – Na boca não.... Na rola...

Realmente as duas não custaram chegar, moravam em um bairro próximo e quem foi abrir a porta foi Marlene.

— Cadê o doutor? – Cristina perguntou.

Não foi nem preciso que minha filha lhe respondesse, entrou correndo em meu quarto, eu estava tomando banho.

— Chegamos! – Cristina entrou no banheiro, eu estava me enxugando – E aê se preguiçoso...

Sorriu e me abraçou, olhei preocupado para a porta com receio de que Rosângela também tivesse seguido a filha.

— Deixa de ser doida Cristina... – empurrei seu corpo – Não vê que estou nu?

Ela se afastou, colocou as mãos na cintura e sorriu.

— Um pedaço de mau caminho... – sentou no vaso – Tu ta com vergonha?

Não era vergonha, era uma espécie de receio que crescia em mim desde as primeiras vezes em que estivemos juntos.

— Você sabe que não é isso.... – coloquei a toalha na cintura – Nossa relação não pode ir por esses lados...

— Isso é besteira... Tem nada a ver viu? – levantou e saiu do banheiro.

Fiquei olhando para ela sem dizer nada, não tinha o que dizer levando em consideração que fui eu que permitiu extrapolar  essa estranha ligação de paciente para íntima. Escovei os dentes e coloquei desodorante antes de sair.

Rosângela estava na sala olhando as capas dos discos que tínhamos deixado espalhados no tapete, Cristina não estava e nem Marlene.

— Ei! – Rosângela sorriu ao me ver sair – Parece que a farra foi grande...

Fui até ela e lhe dei um beijo na boca, ela recebeu de olhos arregalados.Acho que fiz aquilo para tentar me afastar de Cristina, criar uma barreira.

— Bom dia... – afastei-me – Teve farra não, ficamos conversando...

Ela ficou me olhando, parecia encabulada. Perguntei se já tinha tomado café e fomos para a cozinha.

— Topo o convite... – falei depois de tomar um copo de suco de manga – To precisando mesmo de sair um pouco.... – ela me olhou, não tinha entendido e sorri – Não lembra quer me convidou para um hotel fazenda?

— É claro... E a Marlene também quer ir?

Não tinha falado ainda, mas com toda certeza ela também iria gostar de ir.

— O que tu fez com Cristina pai?

Olhei para trás, minha filha entrou envolta em uma toalha, olhei depois para Rosângela.

— Fiz nada não, por que?

— Ela ta chorando lá no quarto...

Suspirei e levantei.

— Deixa Ângelo, isso é maluquice dela... – Rosângela segurou minha mão – Depois eu converso com ela.

— Espera, vou conversar... Não fiz nada!

Soltei minha mão e fui para o quarto, Rosângela ainda tentou me fazer esquecer, mas aquela situação estava beirando a sandice e não poderia adiar mais ainda. Antes de entrar Marlene puxou meu braço.

— A tia tem razão pai... – parei e me virei – Deixa pra resolver isso depois...

Saimos para dar uma volta pela cidade, passamos no shopping onde compramos roupas de banho para as garotas, Cristina estava arredia e não me deixou sequer passar o braço por seu ombro.

Aquela situação estava me incomodando, Marlene e Rosângela faziam de tudo para que o dia não se perdesse por causa da amuação da moreninha.

Almoçamos em uma churrascaria – eu e Marlene somos carnívoros por natureza – e de tarde, sem ao menos trocarmos de roupa, fomos assistir um filme.

— Senta aqui... – peguei na mão de Cristina que tentou se desvencilhar – Deixa de ser criança, pára com isso...

Vi quando Rosângela puxou Marlene para se sentarem em uma fileira na frente, fiquei agradecido intimamente pela compreensão.

— Me solta! – deu um puxão – A gente não pode ficar junto...

Olhei para ela e balancei a cabeça, não ia dar para conversar com toda aquela animosidade e sentei numa das primeiras poltronas. Cristina olhou e subiu até as últimas poltronas, asala quase vazia, apenas nos quatro e uns dois ou três casais, Rosângela e Marlene conversavam.

— Ângelo... Vem pra cá!

Olhei para trás, Cristina sorriu. Olhei para as garotas que conversavam. Levantei, aas luzes se apararam, uma escuridão fria encheu o ambiente, esperei que minha vista se acostumasse antes de ir para onde estava a garota, sentei e fiquei calado. O filme começou[1].

— Desculpa... – Cristina falou baixinho – Não queria...

— Não, sou eu o culpado... – segurei sua mão, estava fria.

Tornamos ficar em silêncio, as imagens com pouca luminosidade e os sons quase sempre sussurrados formavam o enredo na tela, uma realidade encoberta por sonhos que esvoaçam em um limbo de desejos e de pecado.

— Ângelo... – Cristina falou sem tirar a atenção do que passava na tela – Quero te contar uma coisa...

Olhei para ela e esperei que continuasse. Cristina olhou para mim, não dava para ver direito seu rosto, mas tive impressão que os olhos brilharam e ela segurou minha mão e colocou em seu colo, o vestido suspenso e a calcinha abaixada.

— Cris... Não Cris... – sussurrei baixinho sentindo a pela macia da vagina.

Mas ela não me deixou tirar a mão, pressionou para entre suas pernas.

— É bom a gente parar Cris... – falei suspirando – Isso não é certo...

— Eu quero... Pega... Pega em minha xoxota...

Deixei minha mão entre suas pernas, sentia o calor se espalhando de dentro daquele corpo juvenil, dos poros da pele eriçada e de um desejo insano que não tive como prever e fazer parar. A mão tocando a vagina lisa e meu pau começou a crescer, não dava para segurar por mais que eu desejasse.

— Eu te quero... – falou baixinho.

Senti sua mão em meu colo, senti quando abriu o botão da calça jeans e puxou o zíper, a mão entrou em minha cueca e segurou meu pau.

— Pára com isso Cris...

Apenas falei e nada fiz para impedir que tirasse e que ficasse passando a mão, também não fiz nada para impedir que se deitasse e lambesse a glande, não impedi que abocanhasse e que chupasse e fiz o pior, meti o dedo na xoxota melada, ela gemeu...

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